

— SINOPSE OFICIAL
Desde o início dos tempos.
Muito antes dos reinos.
Muito antes das lendas.
Muito antes de seus nomes serem esquecidos pelo tempo.
Havia uma única verdade que permanecia oculta do mundo.
Que entre bilhões de vidas, surgiriam oito almas capazes de desafiar até mesmo o destino.
E que uma promessa seria feita.
Uma tão poderosa, capaz de atravessar séculos, sobreviveria à morte e ecoaria através das eras.
Mas antes de se tornarem lenda...
Antes de serem conhecidos como as almas do destino...
Eles eram apenas jovens tentando encontrar seu lugar no mundo.
E foi assim que tudo começou.
Porque de toda lenda nasce uma tragédia.
• DEGUSTAÇÃO EXCLUSIVA
O dia em que o Destino Hesitou
O céu noturno estendia-se sob o brilho prateado da lua cheia. Milhares
de estrelas cintilavam acima dos Penhascos de Vaeltor, espalhadas como
diamantes sobre um infinito manto de escuridão.
Sentada à beira do penhasco, sobre uma antiga rocha moldada pelo tempo
e pelo vento, Celine observava o horizonte em silêncio. A brisa fria dançava
entre seus longos cabelos dourados, fazendo-os brilhar como fios de ouro
líquido sob o luar. Lá embaixo, o mar refletia a luz da lua em incontáveis
fragmentos prateados. Tudo parecia tranquilo. Quase eterno.
O silêncio do topo do penhasco foi quebrado pelo som suave de passos
esmagando a relva úmida da noite.
— Eu sabia que encontraria você aqui.
Celine sorriu antes mesmo de se virar. Um calor familiar aqueceu seu peito.
— Você sempre sabe.
Alexander aproximou-se devagar, como se aquele caminho fosse conhecido
de cor. Com as mãos repousando atrás das costas. Parou ao lado dela, os
ombros largos bloqueando a brisa gelada, e encarou o mar. Nenhum dos dois
sentia necessidade de preencher o silêncio.
— Está frio aqui em cima — comentou ele, o hálito formando uma sutil
névoa clara.
— Um pouco — Celine admitiu, encolhendo-se na túnica leve.
Sem dizer nada, Alexander desfez o nó de couro em seu pescoço, retirou o manto pesado e o estendeu sobre os ombros dela. O tecido ainda carregava
o calor do corpo dele e o cheiro de lenha.
— Você faz isso toda vez — ela murmurou, aconchegando-se.
— E você insiste em esquecer o seu toda vez. — Um meio sorriso surgiu no
canto dos lábios dele. — Eu sobrevivo ao frio.
Celine soltou um risinho soprado, olhando o perfil imperturbável do amigo.
— Teimoso.
— Já me disseram isso.
Os dois permaneceram em silêncio por alguns instantes, observando as
ondas explodirem contra as rochas pretas, muito abaixo. Uma silhueta
surgiu, caminhando sem a menor pressa.
— Impressionante. Que cena comovente.
Lucien surgiu pela trilha, os dedos enganchados nos cordões do cinto de
couro e um sorriso ladino nos lábios.
— Demorei exatamente cinco minutos para achar vocês dois.
Alexander nem virou o rosto ao responder.
— Foi um recorde para os seus padrões.
— Vocês tornam o meu trabalho fácil vindo sempre para o mesmo canto do
mundo. — Lucien parou do outro lado de Celine, espiando o oceano. — Um
dia irei entender o que este lugar tem de especial para vocês virem sempre
aqui.
— Daqui dá para ver o mundo inteiro, Lucien — respondeu ela.
— E o bônus principal: ninguém vem até aqui para ouvir você falar
completou Alexander.
Lucien levou a mão ao peito, encenando uma mágoa profunda.
— Ataques gratuitos a essa hora da noite?
Celine riu alto, o som levado pelo vento.
— Pensei que estivesse acostumado com as provocações do Alexander.
— A gente finge que não dói, mas a alma chora. - Lucien piscou para ela.
— Mentira, já me acostumei. Um pouco.
Passos mais pesados anunciaram novos recém-chegados.
— Decidiram começar a reunião sem nós? — A voz serena de Elias chegou
antes dele.
Kael vinha ao lado, erguendo uma pequena lanterna de óleo cuja luz
amarelada cortava as sombras da relva. Atrás deles, Auren caminhava com
sua tranquilidade habitual, as vestes escuras quase invisíveis na noite.
Kael percorreu o penhasco com o olhar. Por puro instinto de proteção. Só
relaxou quando os olhos pousaram em Celine, sã e salva sob o manto de
Alexander.
— Sabia que estariam bem aqui — disse Elias.
— Todo mundo sabe — resmungou Lucien, jogando os braços para o alto.
— Falta criatividade para esconderijos.
A roda se formou sobre a grama. Kael apoiou a lanterna sobre uma pedra
achatada, espalhando uma claridade trêmula que contrastava com o azul
gélido da lua, desenhando sombras nos rostos conhecidos.
Auren escondeu as mãos dentro das mangas largas de sua túnica, encolhendo
os ombros.
— Sendo muito sincero… eu ainda não me acostumei com este vento na
cara.
Lucien soltou uma risada de deboche.
— Você só pode estar brincando. Cresceu sendo arrastado para cá.
—E continuo sem me acostumar.
— Isso é anatomicamente possível? — Lucien olhou para Elias. — Sentir
ranço do mesmo lugar há dez anos?
— Vindo do Auren? Totalmente possível — Elias respondeu, sentando-se com um sorriso calmo.
Alexander olhou de soslaio para o grupo.
— Não é a primeira vez que ele faz esse drama.
— E garanto que não será a última — emendou Elias.
Celine divertia-se com a dinâmica.
— Vocês percebem que a gente sempre discute exatamente as mesmas
coisas aqui? É quase um roteiro.
Lucien ajeitou o colarinho, cheio de si.
— Não é roteiro, Celine. É tradição.
— É falta de criatividade, isso sim — corrigiu Auren.
— Prefiro chamar de tradição — Lucien insistiu.
— Claro que prefere — murmurou Kael, a voz grave soando como um
trovão baixo enquanto se acomodava perto da lanterna. — Esconde o fato
de que você usa a mesma piada desde os doze anos.
Parece mais poético se chamarmos de tradição! — Lucien protestou.
— Não parece, não — Alexander quebrou a pose dele com três palavras.
Celine balançou a cabeça, escondendo o rosto no colarinho do manto largo.
— Vocês são impossíveis juntos.
Aos poucos, as provocações diminuíram. Veio o silêncio confortável de
quem partilha uma vida inteira. Só se ouvia o uivo do vento na relva alta e
o estrondo ritmado do mar nas rochas. Na pedra, a chama da lanterna
tremulava nervosa dentro do vidro.
Até que a calmaria mudou.
Kael virou o rosto abruptamente para a trilha escura. Franziu a testa, os olhos
tentando perfurar a penumbra.
— Eles estão demorando — constatou a voz grave.
Alexander acompanhou o olhar do amigo, a postura sutilmente mais alerta.
— Também acho. Já deveriam ter cruzado a subida.
Lucien deu um estalo com a língua.
— Aposto uma moeda de prata que foi culpa do Dorian.
— Aposto que ele se perdeu, como de costume — comentou Elias, rindo
baixinho.
— Eu aposto que ele encontrou algo terrivelmente interessante no caminho
Interveio Celine.
Auren, com as mãos recolhidas nas mangas, sorriu.
— Aposto que as duas coisas aconteceram juntas. Ele se perdeu porque
achou algo interessante e achou algo interessante porque estava perdido.
Risadas baixas correram pelo grupo, dissipando a tensão.
Nenhum deles ouviu passos. Nem o farfalhar dos arbustos, nem o estalo da
relva úmida. Apenas perceberam, de repente, que a escuridão na borda do
círculo de luz havia tomado a forma de mais uma pessoa. Uma presença fria
e silenciosa que já estava ali há muito tempo.
Celine soltou um suspiro divertido e Lucien revirou os olhos.
— Vocês apostam demais — a voz de Noctis surgiu do breu, calma e de um
timbre baixo, quebrando o riso dos amigos.
— Você realmente precisa parar de brotar do nada, Noctis — reclamou
Lucien. — Um dia o Kael te acerta por puro instinto.
O reflexo prateado da lua atingiu as feições de Noctis conforme ele deu um
passo à frente, cruzando a linha da escuridão. O semblante era tranquilo.
—Se o Kael não me acertou nos últimos dez anos, não vai ser hoje —
Respondeu ele, cruzando os braços.
— Ele tem um ponto — murmurou Alexander.
Celine afastou discretamente o manto para abrir espaço ao lado dela. Noctis
apenas se acomodou ali, como se aquele lugar sempre tivesse sido dele.
— Onde você o deixou?
— Um pouco mais atrás — Noctis respondeu, indicando a trilha com um
movimento sutil de cabeça. — Apertei o passo assim que ele começou a guiar-se pelo som dos grilos.
—Então quem ganhou? — Lucien animou-se. — Ele se perdeu ou achou
algo?
Noctis olhou para Auren.
— O Auren levou essa. O Dorian saiu da trilha no escuro porque cismou
que viu o brilho de uma coruja-da-igreja nos galhos de um carvalho.
Auren deu de ombros com um sorrisinho de vitória contido.
—Eu conheço o meu bando.
O som de passos rápidos e de folhas secas estalando finalmente cortou o ar.
— Eu juro que a coruja estava lá! O reflexo nos olhos dela era azulado!
A voz de Dorian surgiu antes dele, enquanto emergia da clareira limpando
pequenos gravetos da roupa. Ao ver os rostos iluminados rindo dele, parou
com um sorriso sem graça. Ah… olá, pessoal. Vejo que o Noctis correu
para me entregar.
Celine levantou-se e deu um passo à frente, balançando a cabeça com um
carinho profundo.
Você não mudou nada, Dorian - disse ela, estendendo a mão para tirar
uma folha seca presa no cabelo dele.
Com a chegada do último, o burburinho atenuou-se. A quietude foi
preenchida apenas pelo som do mar e do vento costeiro.
Ali, no topo do mundo, a pequena roda estava completa. Eram oito almas
reunidas sob o mesmo céu estrelado, conectadas por laços antigos que nem
um deles era capaz de lembrar quando haviam começado. A luz quente da
lanterna desenhava seus rostos
Continuava cantando contra as rochas.
Tudo parecia exatamente como sempre fora.
E foi justamente por isso que ninguém percebeu o instante em que o próprio
Destino voltou os olhos para aquelas oito almas.
Nenhum deles imaginava que aquela seria a última noite em que o mundo
ainda lhes permitiria permanecer assim ...
Quer descobrir o que existe depois destas primeiras páginas?


+ CARTOGRAFIA ANCESTRAL
Antes que as histórias atravessassem séculos e os caminhos das almas se cruzassem novamente, existia um mundo onde os primeiros fios do destino começaram a se entrelaçar.
ALMAS
DESTINO
MISTÉRIO
REENCARNAÇÃO
A essência eterna que atravessa as eras e molda o destino de cada reino.
A teia invisível desenhada antes da primeira aurora do mundo.
Verdades ocultas nas névoas que guardam os segredos primordiais.
O ciclo contínuo onde velhas promessas despertam em novos corpos.
✦ EM DESENVOLVIMENTO
A história ainda está sendo escrita.
O Livro I pertence a uma saga planejada para cinco eras completas. Esta página será atualizada continuamente conforme a obra avançar.

Toda jornada precisa de um começo.
E esta começou muito antes de as almas se lembrarem de quem eram.
Simoni Silva

